Se a chamada globalização, e seu equivalente cultural – fronteiras móveis, trocas artísticas, abertura comunicacional – tem tido, com certa frequência, sua emergência datada não no século XX, mas no início da Idade Moderna, na época das grandes navegações (Gruzinski, Hall), para aqueles que se dedicam ao Oriente, próximo ou extremo, e a seus nexos com outras partes do globo, o fenômeno pode facilmente recuar ao terceiro milênio a.C. (Gunder Frank). No passado ou no futuro, o mercado do conhecimento (Murteira) aponta necessariamente para as redes entre Oriente e Ocidente. O presente simpósio temático pretende acolher pesquisas que abordem as conexões (redes, tráfegos, vínculos, heranças, contaminações, trocas) e desconexões (resistências, interrupções, desvios, esquecimentos) entre a produção e a circulação artística de matriz ocidental influenciada por aquela oriental e vice-versa, tanto do passado como da contemporaneidade. Pretende-se também ampliar a relativamente recente e controversa discussão, ao menos no contexto de tais redes, em torno do reconhecimento da arte como campo autônomo, ao receber pesquisas que abordem questões teóricas e práticas em relação ao estatuto da arte e do artista, e da transmissão do saber e do fazer artístico em suas múltiplas geografias.
Palavras-chave: arte oriental; arte ocidental; oriente/ocidente